Terceiro envolvido no crime foi sentenciado em sessão do 3º Tribunal do Júri
O policial militar Diego Dias de Souza, 39 anos, foi condenado a 22 anos de reclusão, em regime fechado, pelo homicídio qualificado que vitimou o comerciante Ednilson do Rego Pacheco, 47 anos, assassinado na frente de sua loja de açaí, em Icoaraci. A decisão foi por maioria de votos dos jurados do 3º Tribunal do Júri de Belém, presidido pelo juiz Cláudio Hernandes Silva Lima.
Como efeito da condenação, o juiz decretou na sentença a perda do cargo público. O réu era cabo da Polícia Militar. A decisão acolheu a acusação sustentada pelo promotor de justiça Gerson Daniel Silveira. Segundo ele, Diego forneceu o próprio veículo para levar e dar fuga aos criminosos. A ação foi gravada em câmera de segurança que registou a ação criminosa dos envolvidos.
Além do PM, também responderam pelo homicídio o vigilante Antônio Carlos Ferreira Pantoja e o guarda municipal Antenor Chagas da Cunha, já julgados e condenados em sessões anteriores a penas de 16 anos e seis meses e 20 anos, respectivamente. O quarto envolvido, Charles de Mendonça, está recorrendo da pronúncia.
Transporte – Em interrogatório, o réu negou participação direta no crime. Disse que não conhecia a vítima e alegou sofrer de transtorno psiquiátrico. Ele contou que levou os envolvidos até o endereço do comerciante para que fizessem uma cobrança no valor de R$ 3 mil, pela compra de um cordão.
Ele disse ainda que ouviu os disparos, mas não viu a vítima ser alvejada, e que procurou sair do local, até serem interceptados alguns metros na rodovia por policiais de motocicleta. No veículo, foram encontradas armas de fogo, uma delas de Diego Dias, de uso restrito.
Segundo a denúncia, os acusados foram contratados por um terceiro homem, desafeto da vítima, para dar cabo da vida do comerciante de açaí. O crime ocorreu na passagem Bom Jesus, distrito de Icoaraci, por volta das 15h do dia 1 de abril de 2021, no momento em que Ednilson chegava ao estabelecimento. Os envolvidos pararam ao lado do veículo dele e aguardaram para surpreendê-lo.
Encomenda – Após executarem os disparos, fugiram em direção à rodovia Arthur Bernardes, mas foram notados por vizinhos da vítima, que indicaram a direção aos patrulheiros. A motivação do crime não foi esclarecida, porém uma das linhas da investigação, que não ficou comprovada, é de que a execução foi planejada por Denise de Paula Souza, então mulher do comerciante. A mulher teria planejado a morte do marido com apoio do seu então amante, um policial militar.
No total quatro testemunhas foram ouvidas, entre elas o delegado que atuou no inquérito e os policiais militares que faziam ronda na área com motocicletas, que foram acionados e saíram em perseguição ao veículo usado no crime. Após abordarem o automóvel na rodovia, prenderam em flagrante os três homens com armas e munição. O policial militar Diego Dias de Souza, proprietário do veículo, conseguiu fugir e só foi preso 19 dias depois do crime.