Ideia de um podcast para disseminar informações surgiu em oficina do Laboratório de inovação
Uma ideia surgida durante uma oficina do Laboratório de Inovação Pai D’Égua do Tribunal de Justiça do Pará ganhou corpo e resultou no podcast Fala Marajó, que discute e busca soluções para os principais problemas daquela região, sobretudo o mais grave deles: a violência de gênero contra meninas e mulheres da região.
Idealizado pelo juiz Thiago Fernandes Estevam dos Santos e pela juíza Miriam Zampier, da comarca de Portel, o Fala Marajó está no ar na Web Rádio Jus (webradiojus.com.br).
“Esse podcast nasceu de uma necessidade identificada pela rede de proteção às crianças, adolescentes e mulheres do Marajó, durante uma oficina promovida pelo Laboratório de Inovação Pai D’égua do Tribunal de Justiça do Pará. Durante as discussões, ficou claro que uma das maiores dificuldades é garantir que a população do Marajó conheça seus direitos e entenda como funciona a rede de proteção em casos de violência e violações”, observa o juiz Thiago Fernandes.
Ele explica que o Fala Marajó trará informações de forma acessível e prática, para que todos saibam como buscar ajuda e exercer seus direitos.
“Queremos que cada moradora do arquipélago conheça os serviços disponíveis e saiba como funcionam, especialmente nos momentos de maior aperreio”, diz ele.
O podcast ouvirá especialistas e, o mais importante, esclarecerá dúvidas, para que a sociedade civil do arquipélago possa construir junto com as instituições governamentais uma comunidade mais forte e protegida.
O primeiro episódio, que já está no ar, explica a Ação para Meninas e Mulheres no Marajó, uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Pará em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para proteger meninas e mulheres da região.
Entrevistas - Entre as convidadas está a juíza auxiliar do CNJ, Luciana Costa, titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher no Distrito Federal, designada pelo ministro Luís Roberto Barroso, presidente do CNJ, para auxiliar no acompanhamento e monitoramento da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Ela atua fortemente para aperfeiçoar as políticas públicas de proteção aos direitos humanos de meninas e mulheres.
Renata Gil é Conselheira do CNJ e juíza de direito no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro há 26 anos. Ela foi presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, a maior entidade representativa da magistratura no mundo, e criou campanhas que se tornaram políticas públicas, como a campanha do Sinal Vermelho, que denuncia a violência contra a mulher com o X vermelho na palma da mão.
A desembargadora do TJPA desde 2007, Maria de Nazaré Saavedra Guimarães está à frente da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar – a Cevid do TJPA, além da presidente do Tribunal de Justiça do Pará, Desembargadora Maria de Nazaré Silva Gouveia dos Santos, e do Desembargador Leonardo de Noronha Tavares, coordenador dos Juizados Especiais e da Agenda de Itinerância do TJPA.
“O conhecimento de seus direitos e da forma como se estrutura a rede de proteção, por parte da sociedade, é seguramente uma forma de reforçar a prevenção a delitos e combatê-los com maior efetividade. Nesse sentido, a ideia do podcast “Fala, Marajó” foi gerada como forma de levar informação à sociedade civil, a partir de entrevistas com profissionais da rede de proteção e também acesso aos ouvintes, para esclarecerem dúvidas a respeito de seus direitos", argumenta o magistrado Thiago Fernandes.